{"id":348,"date":"2019-01-28T15:06:19","date_gmt":"2019-01-28T15:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/skasd.net\/?p=348"},"modified":"2019-01-28T15:06:19","modified_gmt":"2019-01-28T15:06:19","slug":"isabela-para-poty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/skasd.net\/es\/2019\/01\/28\/isabela-para-poty\/","title":{"rendered":"Isabela Para Poty"},"content":{"rendered":"<p>Quem inventou o concreto,<\/p>\n<p>nunca andou descal\u00e7o.<\/p>\n<p>Quem inventou os postes de luz,<\/p>\n<p>nunca namorou no escuro.<\/p>\n<p>Quem inventou a arma,<\/p>\n<p>nunca sentiu a f\u00e9.<\/p>\n<p>Quem inventou o guarda-chuva,<\/p>\n<p>nunca sentiu a chuva das \u00e1rvores que caem com o vento.<\/p>\n<p>Quem inventou os carros,<\/p>\n<p>nunca andou pelos caminhos sagrados.<\/p>\n<p>Quem inventou as paredes,<\/p>\n<p>sempre viveu em barreiras.<\/p>\n<p>Quem inventou o rel\u00f3gio,<\/p>\n<p>nunca refletiu.<\/p>\n<p>Quem inventou empacotados,<\/p>\n<p>nunca comeu s\u00f3 o que vem da terra.<\/p>\n<p>Quem inventou rem\u00e9dio,<\/p>\n<p>nunca sentiu cura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter paci\u00eancia para desfazer n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sab\u00edamos nem o que era barulho,<\/p>\n<p>nem o que era veneno.<\/p>\n<p>A rua n\u00e3o era nenhuma<\/p>\n<p>e cinza s\u00f3 o c\u00e9u nos dias nublados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A luz era do fogo e de Nhamand\u00fa,<\/p>\n<p>das flores brancas e amarelas,<\/p>\n<p>da lua que reflete na \u00e1gua,<\/p>\n<p>dos olhos das corujas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uni\u00e3o sempre foi uma coisa s\u00f3<\/p>\n<p>e ouvir a dan\u00e7a das \u00e1rvores<\/p>\n<p>no sil\u00eancio dos ares<\/p>\n<p>era sagrado como o caminho das formigas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c1gua suja n\u00e3o tinha<\/p>\n<p>e todos os p\u00e1ssaros cantavam o vento limpo.<\/p>\n<p>Vento sujo n\u00e3o havia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como \u00e9ramos um s\u00f3,<\/p>\n<p>Vivendo em mundos distantes:<\/p>\n<p>Hoje para\u00edso,<\/p>\n<p>Antes vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>***<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Terra sem males<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na terra sem males tem uma faixa de grama rosa e a lua \u00e9 mais pr\u00f3xima do c\u00e9u.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 outro. Ele explica e mostra com respeito o caminho at\u00e9 l\u00e1 longe.<\/p>\n<p>As nuvens s\u00e3o fuma\u00e7as dos ancestrais,<\/p>\n<p>que iluminam e sopram vento de vida para os que ali vivem.<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros cantam quando voam.<\/p>\n<p>O som do sil\u00eancio tamb\u00e9m \u00e9 assim \u2013 eterno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na terra sem males vive quem de l\u00e1 nunca saiu,<\/p>\n<p>talvez seja por isso que as ra\u00edzes alcan\u00e7am a montanha que vive debaixo da terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os ventos apontam \u00e0 eternidade porque s\u00e3o eternos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O raio de luz ilumina o ch\u00e3o,<\/p>\n<p>Que ilumina a lama,<\/p>\n<p>Que canta uma can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Vivemos!<\/u><\/p>\n<p>Cortaram-me,<\/p>\n<p>Mas viva estou.<\/p>\n<p>Sou viva,<\/p>\n<p>Estou viva.<\/p>\n<p>Sou e vivo<\/p>\n<p>O sopro de vida<\/p>\n<p>Que Nhanderu me deu.<\/p>\n<p>Cortada, sangrando, gritando<\/p>\n<p>Mas viva.<\/p>\n<p>Viva, viva<\/p>\n<p>Viva,<\/p>\n<p>Viva<\/p>\n<p>E forte.<\/p>\n<p>Porque sou forte tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No meu corpo,<\/p>\n<p>Sempre despido,<\/p>\n<p>Minha vida bate nas costas.<\/p>\n<p>Me d\u00f3i tirar a terra dos p\u00e9s.<\/p>\n<p>A mata sufocada<\/p>\n<p>Embaixo do concreto<\/p>\n<p>\u00c9 viva.<\/p>\n<p>Assim como sou.<\/p>\n<p>Porque a raiz da \u00e1rvore que tentaram matar,<\/p>\n<p>Mas nunca v\u00e3o,<\/p>\n<p>Mostra minha dire\u00e7\u00e3o para terra.<\/p>\n<p>Sou viva e estou viva<\/p>\n<p>Como nunca,<\/p>\n<p>Porque nunca me matar\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Podem me arrancar<\/p>\n<p>As folhas, penas, pele<\/p>\n<p>Mas viva estou e viva sou,<\/p>\n<p>Debaixo do concreto,<\/p>\n<p>Abaixo de Nhamandu,<\/p>\n<p>Entre o yvytu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Carta \u00e0 um amor ancestral<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nosso caminho para cura \u00e9 lindo.<\/p>\n<p>Nele est\u00e1 as mais floridas cerejeiras, mais fartas jabuticabas e amoreiras e o mais cheiroso capim-santo.<\/p>\n<p>A terra \u00e9 o ch\u00e3o e o ch\u00e3o \u00e9 a terra, assim como nossos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Nossas l\u00e1grimas de dor n\u00e3o s\u00e3o nada mais que a liberta\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>que descem at\u00e9 o lago, aprofundam nossos esp\u00edritos e<\/p>\n<p>estendem nossos cantos e rezas.<\/p>\n<p>Nosso caminho para cura \u00e9 lindo,<\/p>\n<p>porque as \u00e1rvores ficam mais firmes quando estamos de m\u00e3os dadas<\/p>\n<p>e a tempestade purifica nossos corpos at\u00e9 com os ventos mais frios,<\/p>\n<p>mantendo viva a quentura do nosso reencontro.<\/p>\n<p>A risada das crian\u00e7as nos revitaliza:<\/p>\n<p>nela mora a esperan\u00e7a do nosso povo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que nosso caminho para cura \u00e9 lindo, meu bem:<\/p>\n<p>Porque o horizonte, mesmo distante, est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do que nunca,<\/p>\n<p>e o c\u00e9u, cada vez mais perto do ch\u00e3o que habita nossos p\u00e9s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>Amor ind\u00edgena<\/u><\/p>\n<p>Se for para amar, que seja assim:<\/p>\n<p>amor que cresce a cada esta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>e vive no tempo que nem existe mais,<\/p>\n<p>mas que existe mais do que nunca.<\/p>\n<p>Amor que passa leve pelo vento<\/p>\n<p>e acompanha o rio de pedras silenciosas.<\/p>\n<p>Amor que existe de olhos fechados,<\/p>\n<p>Floresce de dentro para fora<\/p>\n<p>E se esquenta com o calor da luz.<\/p>\n<p>Cresce a cada fase da lua<\/p>\n<p>E energiza o toque s\u00fatil \u2013<\/p>\n<p>o mesmo toque das flores de ip\u00ea rosa<\/p>\n<p>quando beijam o vento de primavera<\/p>\n<p>ou das ondas baixas<\/p>\n<p>quando beijam a areia de uma ilha nunca habitada por homens.<\/p>\n<p>Se for para amar, que seja assim:<\/p>\n<p>Recome\u00e7os, sem um fim \u2013<\/p>\n<p>At\u00e9 o mundo nascer de novo,<\/p>\n<p>Com a pureza que nele sempre residiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu estranho o barulho da cidade.<\/p>\n<p>Me disseram que de onde vim ouvimos de longe o som do mar,<\/p>\n<p>o vento abra\u00e7a<\/p>\n<p>os p\u00e1ssaros cantam<\/p>\n<p>as abelhas produzem o mais doce mel,<\/p>\n<p>os coqueiros dan\u00e7am<\/p>\n<p>e a lua ilumina os horizontes e desenha-se nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu estranho o barulho da cidade.<\/p>\n<p>Me disse que da aldeia eu vi e l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para o caos:<\/p>\n<p>apenas tempo para observar as constela\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>e agradecer o presente que a natureza \u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu estranho o barulho da cidade<\/p>\n<p>porque da mata sou<\/p>\n<p>e escolhi amar em sil\u00eancio<\/p>\n<p>o barulho que sempre morou em mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A noite ao observar, conseguia pensar em tudo no mundo,<\/p>\n<p>Menos nas minhas futuras preocupa\u00e7\u00f5es min\u00fasculas.<\/p>\n<p>Pensava como o vento abana cada cent\u00edmetro nosso,<\/p>\n<p>Refresca as plantas e animais;<\/p>\n<p>Como o sol aquece os mais frios cora\u00e7\u00f5es e mais secas folhas;<\/p>\n<p>Como a natureza sempre manda sinais sonoros e respira alto;<\/p>\n<p>Como o mar possui os mais profundos segredos;<\/p>\n<p>Como o amor energiza;<\/p>\n<p>Como a lua ilumina;<\/p>\n<p>Como os ursos sonham intensamente ao hibernarem;<\/p>\n<p>Como as nuvens desenham-se na imensid\u00e3o;<\/p>\n<p>Como a terra nutre e a raiz sustensa;<\/p>\n<p>Como as constela\u00e7\u00f5es se completam;<\/p>\n<p>Como os nossos rostos se encaixam;<\/p>\n<p>Como minha alma tocou na tua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando?<\/p>\n<p>Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Pra qu\u00ea?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que \u00e9 n\u00e3o ouviu nossa m\u00e3e sem ao menos suspirar entre os ventos?<\/p>\n<p>O que \u00e9 botar o mundo em chamas e n\u00e3o se sentir culpado?<\/p>\n<p>O que \u00e9 se afastar do amor e evitar qualquer forma<\/p>\n<p>De arte,<\/p>\n<p>De terra,<\/p>\n<p>De ser?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><u>\u00c1rvores n\u00e3o se calam<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As \u00e1rvores nunca se calaram.<\/p>\n<p>Sinto o barulho do cheiro quando a chuva vem<\/p>\n<p>e sinto o movimento da dan\u00e7a quando o vento passa.<\/p>\n<p>Quando eu encosto meu ouvido<\/p>\n<p>no casco seco e arquitetado<\/p>\n<p>no corte violento<\/p>\n<p>sinto o terror que a cidade traz,<\/p>\n<p>sinto o medo que ela traz todos os dias.<\/p>\n<p>Quando toco a terra,<\/p>\n<p>sinto prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cad\u00ea o que me protege a todo canto?<\/p>\n<p>Cad\u00ea o que protege todos n\u00f3s \u2013 aqui?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O medo n\u00e3o me deixa subir numa \u00e1rvore de pitanga<\/p>\n<p>Porque esse medo foi a cidade que trouxe.<\/p>\n<p>Esse medo que deixou as arvores caladas<\/p>\n<p>E as crian\u00e7as sozinhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para mim, n\u00f3s n\u00e3o ouvimos s\u00f3 pelos ouvidos:<\/p>\n<p>quando a alma toca,<\/p>\n<p>o canto que toca a gente<\/p>\n<p>volta a cantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Soltar ventos ruins ao pular perto do c\u00e9u \u00e9 deixar ir embora e se curar por dentro,<\/p>\n<p>para depois descansar ao lado do nosso amor.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m sinto falta das noites calmas,<\/p>\n<p>do c\u00e9u limpo e da ilumina\u00e7\u00e3o da lua sobre os nossos corpos finitos.<\/p>\n<p>Almas que se reencontram n\u00e3o se soltam nas tempestades, nem nas guerras mundanas, nem nos maiores medos.<\/p>\n<p>Almas que se reencontram n\u00e3o se soltam.<\/p>\n<p>Talvez seja esse o grande segredo:<\/p>\n<p>Caminhar em silencio para ouvir o sol e o mar, l\u00e1 longe.<\/p>\n<p>\u00c9 para ouvir o cora\u00e7\u00e3o que conversa com Nhanderu.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o bom estar contigo no caminho em sil\u00eancio e na terra que sempre foi nossa:<\/p>\n<p>m\u00e3e que cuida e nunca abandona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A CIDADE MATA E SUFOCA PARA SE MANTER VIVA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ip\u00ea \u00e9 agora nome de rua<\/p>\n<p>Pirituba nome de bairro<\/p>\n<p>Par\u00e1 de estado<\/p>\n<p>Brasil nome de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As palavras nativas nomeiam vidas destru\u00eddas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Palavras s\u00e3o esp\u00edrito e nosso esp\u00edrito ficou<\/p>\n<p>e fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dizimaram nosso cantos e l\u00ednguas<\/p>\n<p>e o silencio de todo sopro de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo virou poeira da cidade<\/p>\n<p>e o olho arde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Habitar terra de ningu\u00e9m nunca doeu tanto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sol queima sonhos na beira da avenida<\/p>\n<p>e tudo que se foi vive na vontade de renascer:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>semente plantada em sonos e fuma\u00e7as.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Na mata ser\u00e1 eternizado o cuidado de seus filhos e sua presen\u00e7a nos esp\u00edritos ancestrais, que estar\u00e3o mais vivos do que antes.<\/p>\n<p>O tempo morrer\u00e1 nos len\u00e7\u00f3is da terra<\/p>\n<p>e se transformar\u00e1<\/p>\n<p>em luas, estrelas, ventos e sol [de novo].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isabela Para Poty<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem inventou o concreto, nunca andou descal\u00e7o. Quem inventou os postes de luz, nunca namorou no escuro. Quem inventou a arma, nunca sentiu a f\u00e9. Quem inventou o guarda-chuva, nunca sentiu a chuva das \u00e1rvores que caem com o vento. Quem inventou os carros, nunca andou pelos caminhos sagrados. Quem inventou as paredes, sempre viveu &#8230; <a title=\"Isabela Para Poty\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/skasd.net\/es\/2019\/01\/28\/isabela-para-poty\/\" aria-label=\"Leer m\u00e1s sobre Isabela Para Poty\">Leer m\u00e1s<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":139,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-348","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorised"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/139"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/skasd.net\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}