Marleide Quixelô – Mãe Terra é plural: Ventre dos Povos Indígenas

Os mais de 305 povos indígenas brasileiros são povos milenares. Desde antes da chegados dos povos colonizadores à Abya Yala (Américas) a Mãe Terra é a terra dos muitos povos indígenas e aquilo que lhes é mais sagrado. Ela é tão sagrada que alguns povos a cultuam como Divindade. Dela retiram tudo de que precisam: alimentos, águas, materiais para artesanatos, etc. Com a chegada dos povos colonizadores em 1500 essas relações com a Mãe Natureza se alteraram drasticamente. Os povos estrangeiros não tinham (e alguns ainda não tem) as mesmas relações com a Mãe Terra. A vêem como mercadoria onde se compra e se vende, onde se retiram de formas destrutivas, onde não se respeitam os equilíbrios ecológicos. Destroem em nome de um “progresso” que não respeitou e nem respeita os diferentes modelos indígenas de ser e estar no mundo que (con)vivem em equilíbrios com a Natureza. Em nome deste “progresso” mais de mil povos e línguas indígenas foram (e são) negados até os nossos dias. E SIM, hoje estamos vivendo em aldeias, áreas rurais e cidades nas atualidades.

Muitos povos em nome destes “progressos destrutivos” tiveram que abandonar suas terras, culturas e modos de vida para não serem totalmente aniquilados. Transformam-se em mãos-de-obras baratas em fazendas ou são lançados para os confinamentos das periferias das cidades. As primeiras relações com a Mãe Natureza nesses distanciamentos vão sendo esquecidas e muitos indígenas urbanos incorporam certos valores da cultura ocidental colonial que os afastam de seus primeiros valores que são: os de equilíbrios e bem viveres com a Mãe Terra. Esses “progressos” para poucos em nome das destruições de muitos povos e da Natureza vêm sendo justificado por grupos no poder ha 518 anos para se formar o que conhecemos hoje por Brasil. Todas as pessoas gostam de confortos, tecnologias e facilidades, inclusive indígenas. Mas esses “progressos ”não podem continuar se não pedirem licenças para a Mãe Terra e para os primeiros povos aqui (r)existentes, para que se retire dela o necessário ou para os desenvolvimentos em maiores equilíbrios com a Grande Mãe. Que os quatro cantos do planeta ouçam nossos povos e os vejam como modelos de desenvolvimentos que queremos para os nossos futuros. Vamos contribuir com mais outras/os parentes que há milênios estão presentes nessas terras e sabem mais do que ninguém que o paraíso pode ser aqui mesmo neste planeta, desde que se respeitem a Mãe Natureza e compartilhemos outros valores que a protejam. O que temos que compreender é que o Brasil é primeiramente dos povos indígenas os primeiros a cuidarem tão bem desses territórios e os povos estrangeiros tem que no mínimo agradecer a esses povos e respeitá-los por estarem até hoje preservando a Natureza por futuros menos poluídos e destruidores. Mais cheios de faunas e floras que encantam as nossas almas e nos dão esperanças de outros progressos mais sustentáveis que reconheçam e reparem o que há cinco séculos estão retirando sem as licenças da generosa Grande Mãe Natureza e dos primeiros povos saídos de seu ventre.

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